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Você é o meu convidado  para este Blog inovador. Um espaço reservado para falarmos sobre a nossa maravilhosa Língua Portuguesa.
Bom apetite! ( … )

´Conhecer a Língua Portuguesa não é privilégio de gramáticos, senão dever do brasileiro que preza sua nacionalidade. A Língua é a mais viva expressão da nacionalidade. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que a exprime e representa, o idioma pátrio!

Napoleão Mendes de Almeida

Essa foi demais!

Trasncrevo aqui a notinha postada no Blog Reinaldo Azevedo, 9 de setembro de 2009:

Leio que, ontem, na reunião da coordenação política do governo, o ministro Tarso Genro lascou um “interviu”. Lula o corrigiu: “Tarso, é interveio”. Diante da estupefação do outro, emendou compreensivo: “Muita gente fala ‘interviu’, mas é interveio”.

A que ponto chegamos, não?

Língua Portuguesa

Assista aulas de Língua Portuguesa em Flip page

O restante das aulas estão na página GRAMÁTICA

O restante das aulas estão na página GRAMÁTICA

Eu e o galo

galo

Em memória do amigo Gileno que sofre tanto

a ausência de seus galos, 6/2007

O que sou sem o meu galo?

Ou seria galos?

Nos meus 26 anos de casado

sempre houve um vazio feliz:

a ausência de meus galos

Onde vocês estão?

Ainda hoje escuto o seu cantar

e o canto inexistente me silencia a alma

Na manhã fria e inóspita

numa tarde, tarde, quase feliz

fico a pensar:

O que são os meus 26 anos

sem o canto feliz dos meus galos.

Extraído de Poemas da vida urbana – poesia reunida. (no prelo)  de DOUGLAS RODARTE

A última quimera

quimera

É uma parada como qualquer outra. Meu ônibus encosta e o motorista abre aquela portinha minúscula e grita: “dez minutos!” Na rodovia para Alexânia são 17:30 horas. Da 5ª poltrona me levanto, estico as costas e desço vagarosamente os degraus. Vou direto ao banheiro: o perfume aromático ressoa corredor à fora. Ao lado, a lanchonete de sempre. Compro o meu lanche: um café preto morno e um pão-de-queijo feito pela amanhã.

A tarde era negra, turva, quase queria chover. Perto das guloseimas vendidas – um velório público fora da calçada. Às margens da amarela grama um choro convulsivo escoava numa uníssona voz por entre a luz do dia e o chão que dizia: “Vem, volta!. Olho do lado do centro da roda e vejo a mãe com um filho nos braços, tossindo um catarro verde que desci, e ainda vejo o menino de dois anos que usava-o como faminto alimento ruminar; duas adolescentes em pé – rostos lacrimais e de um desencanto terminante. No rastro da grama, já batida pelo tempo, um pai redobrado sobre as pernas de lado e o tronco que o acompanhava.

Uma mão segurava o aguardente, e a outra, alisava o abatido, como quem acariciava um ursinho de pelúcia. Degladiava-se em soluço e as não poucas lágrimas sobre um cachorro morto.

A buzina do ônibus soava pela segundo vez. Aguarro firme meu pão-de-queijo e inicio a subida dos degraus, olho o som do choro e pensei que talvez fosse para todos ali, a última quimera.

Título utilizado a partir do belíssimo romance sobre o poeta Augusto dos Anjos, de Ana Miranda.

cama

Dona Dalva diz até logo, sai pelo corredor, sacola à mão, bate o ponto as 18:37h e pega o ônibus para casa.

Mal ela entra pelo portão, abre a porta da sala, joga a bolsa, a sacola e o corpo sobre o sofá. Pesado e cansado corpo. As crianças rompem o curto espaço de som deixado por Dalva pedindo a sua atenção. Parece não bastar o dia – tudo começa outra vez.

As panelas, a cenoura, a cebola. É a fralda suja, a água do filtro, a papinha do bebê, a janta do marido e o seu banho ainda não tomado.

E, no desgaste da unhas, entre o sabão e a bucha, Dalva respira fundo, como quem desabafa ou recobre o interno ar perdido e escuta o chato sinal do telefone.

- ´Mãe, telefone´. Berra uma das crianças.

O marido imóvel é um animal empalhado, faminto, egoísta, um desgraçado- inerte, compenetrado na tv. Talvez merecesse o privilégio do conforto que a vida marital lhe oferecia. Pôxa! Afinal tinha trabalhado o dia inteiro!

As crianças, após o jantar, dormem.

Dalva na antiga amizade, volta-se para a tábua de passar roupa.  Como o de sempre, passa uma calça, uma camisa e uma gravata para o marido. Passa então seu jaleco de popeline branco, fino, quase transparente e refaz a bolsa com seus pertences. Aproveita e deixa a marmita preparada para as 06:00 horas do dia seguinte.  Já sonolenta, arrumando o lençol, tentando fugir do som da tv, que vinha sem pedir licença: era um jogo de futebol.

Corre a mão pela fresta da cama tubolar e apaga a luz. O sonho demora, pois logo acorda com um peso sobre si: o marido, o empalhado sufoca-lhe o pescoço, acorda-lhe os seios e já mete-lhe a mão sob a calçinha. Dalva abre os olhos – meio que baleada pelo sono: “Ou!Psiu!” Acorda, vai pular fora? O ríspido-carinhoso sussurra à meia-voz.

- Faz o seguinte: – resmungava Dalva – tira a minha calçinha, fica a vontade, quando você terminar, você me cobre.

Uma lágrima escorre pelo canto esquerdo do rosto.

Tão pouco o tempo, e  o relógio a desperta: hora de fazer o café.

Extraído de Aqui, agora, quase, quando – contos. (no prelo)  de DOUGLAS RODARTE

Estava jantando em Brasília no ano de 2001 com o meu amigo e escritor Domingos Pereira Netto, quando notamos uma voz alterada  e meio sem graça de um marido ao lado ao se referir sobre  a sua esposa dizendo: ´meu chapa, a minha mulher é tão burra,  tão burra que  o cara perguntou se ela gostava de kafka,  ela disse:  não prefiro esfirra!´. Rapaz, é de matar, não é…

Nasce daí esse meu texto. O conto é imperdível!

kafka2

O cheiro do café expresso caminhava lentamente no interior da livraria. Num sonoro e silencioso passar de folhas, entre muitos livros e revistas, logo na entrada, à esquerda guloseimas, cigarros, cachimbos, revistas de foto-novelas e uma serena mulher, baixa, olhos claros de mel, sentada de trás do balcão servindo-se de caixa registradora.
Um homem de bengala, acho que cego, pergunta por um tal “desconhecido” Ricardo Reis, outro pegava um livro que acabava de cair da estante que ficava próxima aos livros de romances e os de poemas. Uns velhinhos buscavam Paulo Coelho ou qualquer outro da linha. Precisavam urgentes.
Naquela hora, junto ao aromático café, um homem, cabisbaixo, silencioso, cabelos pretos, visto de costas, folheava sincronicamente, sob horas, as mesmas obras. Ao lado, um casal – pareciam amigos : cigarreta à mão, está comprando Augusto dos Anjos e observando a Folha de São Paulo; ela lança-lhe várias perguntas sobre família, sobre os semanários, as novas fofocas da cidade. Na verdade, conversaram, por meia hora.
Por um instante, naquele negrume diálogo, seu jornal cai, e dela, o saco de balas. Ainda se recompondo a compostura pergunta:
— Você gosta de Kafka?
Ela não titubeou e solta:
— Não, prefiro esfirra!
O homem da leitura, de costas, escuta, respira, levanta a cabeça e começa a devolver à estante O Processo, A Metamorfose e Carta ao Pai que levavam seu nome na capa. Estende e abana a mão à mulher do caixa e caminha lentamente para fora e senta-se no Café ao lado.

Extraído de Aqui, agora, quase, quando – contos. (no prelo)  DOUGLAS RODARTE

Claustro

 

     Carlos casou-se com Rita. Fora um enlace matrimonial muito bonito. Rita estava deslumbrante, reluzente mesmo. Carlos, ansioso, meio gordinho, acabava de se encaixar dentro de sue pequeno terno. Ele, na verdade, não sabia como agradá-la melhor: “faço um bolo?”, “ toco um violão?”, “ canto?”, “ choro?”. Relutava na noite fatal que aconteceria numa aconchegante capela em Sobradinho.

Para Carlos, o casamento era mais do que um enlace, mais que um amalgamar de corações; era a vitória sobre a sogra – a Dona Artemísia. Nome que o atormentava desde a primeira noite em que foram apresentados, pois o ressoar do nome o lembrava a saudosa professora de matemática do primário. O triunfo sobre a convivência desgraçada com a sogra, estava próximo.

Mas Rita também tinha um presente especial para Carlos que ela havia prometido dar somente no final da lua de mel. Rita foi cautelosa e esperou o marido numa boa hora em que as afeições corporais estavam no fim de sua sincronia e lhe deu o prometido: “amor, minha mãe vai ter que morar com a gente!” – disse, franzindo a testa e cruzando os dedos da mão esquerda. O quarto ficou mudo e as paredes em sua negritude fecharam os olhos. “Não fica assim não, tudo vai dar certo, você vai ver!”.

Carlos emudece. Vira-se para o lado e dorme. O casamento começou com um sonho frustrado: “Que ré meu! Dizem que sogra é bicho maldito, que até fala, o bicho fala!.” O coitado começou a adoecer da alma ao longo dos anos. A cabeça sofria tanta pressão por causa dos ajustes que não tinha pra onde ir: chegou a 140 quilos. ”Será que essa velha tá botando alguma coisa na minha comida?!? ”, “ Não, não, isso só tá na minha cabeça”- pensava em frente a balança repetidas vezes…

Realmente, era um inferno. A velha fazia questão eterna de não dormir no quarto reservado para ela; só dormia se fosse na sala. A sala ficava dividindo parede com o quarto do casal. A velha dorme tarde e acorda todos os dias antes das 6h00. A proximidade com a sogra lhe estragava o matrimônio, lhe castrava a paternidade e não libertava sua sexualidade.

Engraçado, a vida: ao mesmo tempo risco e oportunidade estão sempre juntos. Carlos se estressava com esse ritmo na mesma velocidade com que Rita ía construindo seu castelo de auto-confiança e proteção.

A doença de Carlos causa-lhe dores cada vez mais intensas no coração. Tempos depois, um pouco mais conformado com a sua sina injusta, comprou sua própria casa e mudaram-se. Todos. Carlos conseguiu viver momentos raros na vida; gozava-os completamente à sós com Rita, pois ele tinha se esquecido de que alguns quando se casam não vão sozinhos. Eles levam a outra metade do ser: a mãe.

Anos depois, já com oito anos de casados, reencontro Carlos lutando com a dieta e faço uma perguna familiar de nós dois: “e aí, como está a família?” As paredes da sala em que estamos ficou gelada, e só escuto o som de seu silêncio, o som de seu claustro.

Coloco a mão sobre o seu joelho direito e pergunto:

“fez o trabalho da faculdade?”.

Extraído de Aqui, agora, quase, quando - contos. DOUGLAS RODARTE

Disconcordo!

Vale a pena rever esta passagem da Folha de São Paulo.   

Até hoje o Aurélio está ofendido.

Risos. 

 

Não fomos apresentados

Algumas semanas antes do impeachment de Collor, em 92, o vereador João Pedro (PC do B) subiu à tribuna da Câmara Municipal de Manaus para atacar o então presidente.

Exaltado, João Pedro defendia a renúncia imediata de Collor ou a sua cassação pelo Congresso Nacional. No meio do discurso, a vereadora Lurdes Lopes (PFL) pediu um aparte ao colega e logo foi dizendo:

- Nobre vereador, o presidente Collor de Mello não é nada disso. “Disconcordo” totalmente do senhor.

João Pedro não perdoou o erro da parlamentar:

- Vereadora, a senhora está agredindo o Aurélio.

Sem perceber que o parlamentar se referia ao dicionário Aurélio, Lurdes passou a berrar, muito contrariada, provocando gargalhadas:

-  O senhor está fazendo uma acusação absolutamente infundada! Jamais falei mal do Aurélio. Aliás, nem conheço ninguém com esse nome!

Folha de São Paulo, 11/1/2000 (adaptado)

      

 

 

      Desculpe por tomar emprestado o belíssimo título do livro de       Ron Mehl. Foi inevitável. O fato é que acordei e lembrei-         me de um poema do poeta gaúcho Mário Quintana que           diz:

 

 

   A construção

    Eles ergueram a torre de Babel

    para escalar o céu.

    mas Deus não estava lá!

    Estava ali mesmo, entre eles,

    ajudando a construir a torre.

    (A vaca e o Hipogrifo)

      Muitas vezes é assim: trabalhamos incançavelmente para encontrar a Deus ou mesmo tentar chegar próximo daquilo que  talvez o agradaria, mas nada. Ficamos com um pequeno vazio, nos sentindo sós em nossa labuta. Quase sempre a vida se parece com a construção desta torre. Deus sempre está por perto e trabalhando junto e firme, dia e noite!

     Eita! Velhindo inteligente!

Escute a elucidativa explicacão do professor DOUGLAS RODARTE sobre como interpretar Poemas em concursos públicos.

Posicione o mouse aqui e aguarde o Player para começar

O silêncio e Eu

 

Em memória aos dez anos da morte de

Mário Quintana (1906-1994).

Escrevo às 20:47h

de uma cama

num Grande Hotel

no 8 andar em POA

O bloco de notas

estava mudo

e o ar que entrava pela janela

era tão frio quanto o frescor que vinha do Guaíba

A TV ligada era a única

que me trazia o som à memória

mas, as palavras, ah! As palavras…

não falam comigo há seis meses

até que num instante, entra um velho, magro, de cigarro na boca,

boina na cabeça, de andar curvo e fala mansa

e senta-se na poltrona , do lado esquerdo da minha cama e, logo ele foi falando:

- calma! Meu bom rapaz. Calma. Tenha paciência.

Há dez anos que deixei Porto Alegre

Sinto saudades…

Hoje, daqui de longe

‘Olho o mapa da cidade

como quem examinasse

a anatomia de um corpo

(é nem que fosse o meu corpo!)

sinto uma dor infinita

das ruas de Porto Alegre

onde jamais passarei…

Há tanta esquina esquisita,

há tantas nuanças de paredes,

há tanta moça bonita

nas ruas que não andei

(e há uma rua encantada

que nem em sonhos sonhei…)

quando eu for, um dia desses,

poeira ou folha levada

no vento da madrugada,

serei um pouco do nada

indivisível, delicioso

que faz com que o teu ar

pareça mais um olhar

suave mistério amoroso,

Cidade de meu andar

(deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…’

Então, meu bom rapaz,

retribuo à visita que tu me fizeste à minha casa pela 4 vez,

e não vim antes por causa da idade

então relaxa, meu bom rapaz, porque com a poesia é assim mesmo:

às vezes, saudades,

noutras vezes,

só nós

e

o

silêncio.

 


“Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho. Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero da salada – meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.”
Alfredo Bosi, 1975.

É um conto abstrato e polissêmico. A sua beleza e robustez estética nos deixa um tanto com absinto e saudade na alma. O discurso de Alfredo Bosi elide texto e assunto. Explico: o tema da saudade é tão forte como um cutelo. O cutelo vai cortando aos poucos. Retirando as farpas. O cutelo é uma ferramenta específica, não serve pra tudo. Assim é este conto. Não serve pra tudo, mas serve cortar. Cortar a alma. Um corte paradoxal.
O corte na alma é feito uma vez que não sabemos quem é a senhora deste conto. O sujeito passivo aqui sofre. E no seu sofrimento, sofremos nós. A notícia de nossas perdas, sempre, sempre vem aos poucos. Essa é a dura realidade a qual temos que conviver. Nem sempre a ´luz na varanda´ deixará as coisas claras e óbvias. No estalar da saudade, muitas vezes, só reluz negrume e bagunça.
Assim somos. Acaso é saudade, Senhora? Não sabemos. Essa é a nossa dor: uma dor que noticia aos poucos.

 

 

Caro leitor (a),

Luís Fernando Veríssimo afirmou certa feita que a “gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda”. O fato é que a gramática realmente está apanhando e muito. Tem sido judiada, esquartejada pela maioria. Não sei se podemos rir ou chorar. Mal sabe o coração desnecessário, diz Gullar.

O tema Concordância, didaticamente chamado de Sintaxe de concordância nominal ou verbal é um tema vasto e complexo, mas prazeroso por fim.

Começo essa série de aulas em áudio apenas como um aperitivo semanal. Aqui você encontrará sempre algo para degustar, aprender de forma clara, muitas vezes engraçada e inteligente. É isso!

Bom apetite!

CONC. VERBAL 1

Áudio cedido pela Thais Nicoleti (Folha)

 


por DOUGLAS RODARTE *

Defronte ao belo e  tempestivo trabalho de Fernando Meirelles (2008) – uma metalinguagem a partir do livro de José Saramago é impossível não retomar alguns outros textos. Quereria compartilhar algumas coisas com você. Não seguirei o caminho da maioria das críticas feitas ao Ensaio de Saramago. O meu recorte será a síntese a partir de comparações textuais entre O Ensaio sobre a cegueira, a Crise mundial e a Bíblia.

A propositura levantada por Saramago, explorada tematicamente em Meirelles, mais confronta, joga no chão algumas convenções e, por fim, revela traços e verdades de AL Gore – Uma verdade inconveniente (An inconveniente truth, 2006). Desculpe a minha pobreza metonímica.

O fato é que Saramago consegue chocar o mundo. O velhinho é bom. Encontramos nele o velho vício de todo ficcionista: “espiar as coisas pelo outro lado.” Penso que, aqui, em O Ensaio sobre a cegueira, o enfoque sobre o outro lado do muro, nos remete às verdades não descobertas e conquistadas, discursos evitados, incontinências, quebras de diversos paradigmas, etc. Lê-se  esta obra como quem vê um ente querido descer à cova: uma mistura de choro, consternação, alma liberta do corpo, dor inexplicável.

A questão é que perdemos o chão diante de tantas questões que, em outros momentos, onde a vida não desfrutava de esvaecimento tal, não se chega a discutir nem se opor, pois é o sentindo da realidade que revela a intenção do discurso.

Veja o trailer:

Ao ver o filme, soltamos a voz, trêmula e angustiante como Manuel Bandeira em dezembro de 1947:

O bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

A minha mente fora asfixiada por questões como: “O que é a moralidade?”, “Existe o certo e o errado?”, “Existe limites para o bem e o mal?”,  ”Existe mal?”, “Afinal, o que é o ser humano? ” “Moralidade pra quê e para quem?”,  ”Alguém vê um palmo à sua frente?”,  ”Quem sou eu?”, “Quem impõe limites à vida?”,  ”Ninguém se candidata?”,  ”A vida vale mais que o pão?”,  ”Mais que o sexo?”,  ”Mais que o respeito e o pudor?”,  ”Afinal, o que é pudor diante da fome?”, “Do desespero?”,  ”Compensa o altruísmo mediante um caos?”,  ”Quando o caos é grande, e o lugar da quarentena é pequeno, tem lugar pra todos?”,  ”A vida é injusta? “,  ”Será que Deus não está vendo a nossa cegueira?”,  ”Porque ele não manda comida?”,  ”Alguém pra cuidar de nós?”,  ”Foi assim que o Saulo de Tarso se sentiu quando caiu do cavalo, na estrada para Damasco? ” Por favor, confira Atos 9.1-9.

Meirelles esteve no 61º Festival de Cannes, 14 MAI (ANSA) e fez a seguinte declaração: “É uma parábola sobre a fragilidade da civilização e a facilidade com que se derrubam valores aceitos pelas sociedades avançadas.” Fico silente diante da força de sua expressão.

Na Literatura, a Parábola faz-se pelo método comparativo, pela alusão tenta-se aproximar realidades. O fundo didático está exposto. Cabe ao leitor-telespectador-intérprete fazer a síntese. Entre o texto de Saramago, a leitura metalingüística de Meirelles e o impacto da intencionalidade da obra dos dois, ficamos nós.

Vale citar uma passagem de Gustavo Bernardo que falou no IV Congresso de Lusitanistas Alemães – Deutscher Lusitanistentag – em Germersheim, Rhein, na Alemanha em 2001:  não podemos distinguir a percepção da ilusão: as ilusões não seriam erros mas sim parte da experiência e portanto da realidade. Podemos deduzir intelectualmente que tal percepção seria ilusória, mas intimamente não conseguimos vivenciá-la como ilusão, isto é, como não-real, sob pena de deixarmos sob suspeita as demais percepções. O problema não reside em diferenciar realidade (hipotética), ilusão, simulação ou realidade virtual: o que distingue as diversas realidades que se percebem é como o sujeito experimenta e incorpora as vivências. Górgias, muito antes, relacionara os atos de iludir e ser iludido com a sabedoria, na contramão do senso comum: “aquele que ilude é mais justo do que o que não ilude, e o que é iludido mais sábio do que o que não é”. Em outras palavras, conviver com a ilusão parece estar sendo uma habilidade necessária, tanto nos tempos antigos quanto nos tempos presentes.“.

Estas são algumas das questões que motivam a propositura em Saramago. Lidar com Este ficcional e saber o diferenciar da realidade, pede de nós muitos outros conhecimentos e “leituras” de muitas áreas da vida, se não queremos precisar “apalpar para poder perceber a realidade em volta.

A literatura é vasta no quesito ‘perguntas e respostas’ nas entrelinhas. Oferecerei algumas.

Na poesia nua, fria, quase acética de Drummond, talvez, um dos textos que mais esta languidez apareça seja em Um boi vê os homens.

Um boi vendo os homens

Tão delicados (mais que um arbusto) e correm

e correm de um para o outro lado, sempre esquecidos

de alguma coisa. Certamente falta-lhes

não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres

e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves,

até sinistros. Coitados, dir-se-ia que não escutam

nem o canto do ar nem os segredos do feno,

como também parecem não enxergar o que é visível

e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes

e no rasto da tristeza chegam à crueldade.

Toda a expressão deles mora nos olhos – e perde-se

a um simples baixar de cílios, a uma sombra.

Nada nos pêlos, nos extremos de inconcebível fragilidade,

e como neles há pouca montanha,

e que secura e que reentrâncias e que

impossibilidade de se organizarem em formas calmas,

permanentes e necessárias. Têm, talvez,

certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem

perdoar a agitação incômoda e o translúcido

vazio interior que os torna tão pobres e carecidos

de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme

(que sabemos nós), sons que se despedaçam e tombam no campo

como pedras aflitas e queimam a erva e a água,

e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.

Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977; p.167.

Bem destacou Bernardo quando disse que O boi, representando a calma imanência animal, supõe-se capaz daquele olhar que exige descrever de maneira neutra o ser dos homens. Assistindo-lendo o Ensaio de Saramago pensei: O que representa ser cego? O que significa graça melancólica? Seria isso que Drummond queria falar?

Fiquei pensando no Drummond revirando no túmulo: “agitação incômoda e o translúcido vazio interior que os torna tão pobres e carecidos de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme (que sabemos nós), sons que se despedaçam e tombam no campo como pedras aflitas e queimam a erva e a água…”.

Os sons drummondianos soaram em meio ao silêncio dos sem-luz. Os cegos viram o clarão da cegueira.

Outro texto inesquecível é o conto do escritor Antonio Tabucchi  “Uma baleia vê os homens”. É um tributo nítido à obra de Drummondiana:

“Sempre tão afobados, e com longos membros que agitam com freqüência. E são tão pouco redondos, sem a majestade das formas plenas e acabadas, e com uma pequena cabeça móvel na qual parece se concentrar toda a sua estranha vida. Chegam deslizando sobre o mar mas não a nado, quase fossem pássaros e dão a morte com fragilidade e amável ferócia. Ficam muito tempo em silêncio, mas depois, com fúria repentina, gritam entre eles, num emaranhado de sons que quase não varia e ao qual falta a perfeição dos nossos sons essenciais: chamamento, amor, pranto de luto. E como deve ser penosa a sua forma de amar: e rude, quase brusca, imediata, sem uma fofa manta de gordura, favorecida pela natureza filiforme deles que não pressupõe a heróica dificuldade da união, nem os magníficos e ternos esforços para consegui-la. Não gostam da água, receiam-na, e não se entende por que a freqüentam. Eles também andam em bandos, mas não levam fêmeas, e se imagina que elas fiquem em outro lugar, mas sempre invisíveis. Às vezes cantam, mas só para si, e o canto deles não é um chamamento mas uma forma de lamento comovente. Cansam-se depressa e quando a noite cai deitam-se sobre as pequenas ilhas que os conduzem e talvez durmam ou olhem a lua. Deslizam em silêncio e percebe-se que estão tristes. “.

Pode parecer muito existencialista colocar o homem – senhor do processo – como alvo de análise na boca de um boi e de uma baleia. Animais. Animais.

Fiquei pensando na hora do filme: Cartola deve está cantando para o Drummond lá em cima – ou seria lá em baixo? Desculpe, estou meio anestesiado.

O Mundo é Um Moinho – Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que iras tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos.
Vai reduzir as ilusões à pó

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

Sobre a Crise econômica mundial falo pouco: Hoje, sexta-feira, 10 de outubro de 2008, os jornais a chamam de sexta-feira negra, a mais negra em 40 anos.

O tema da crise, da Cegueira não é nova na história bíblica. O tema é vastamente explorado. Perceba: desde Deuteronômio 28.29 a Apocalipse 3.17.

29 Apalparás ao meio-dia como o cego apalpa nas trevas, e não prosperarás nos teus caminhos; serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve.

17 Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;

O fato, querido leitor, é que a função do cinema, da arte, da literatura é levantar questões. Nem sempre se preocupa em respondê-las. Está aí, o lado, muitas vezes danoso do fazer arte “sem Deus”. Pois encontramos no sem-Deus, que o deus-caos fala e dá sentido à vida. Não para nós crédulos da Bíblia em todo o mundo.  O sujeito em Drummond, em Saramago e explorado em tantos outros frangalhos temáticos é o José drummondiano que em todo o tempo se pergunta: e agora, José?“.

O mundo, como palco existencial de todos nós, somente compensa ser vivido na perspectiva da luz de Jesus refletida em Nós. Nascemos nus, e assim, voltaremos pro solo. No encontro de Jesus com o Cego a beira do caminho é uma metáfora existencial pra nós. Sem Deus, vemos o cão, por causa de nossa cegueira ontológica (própria do ser). Somos assim. O encontro com Deus, o enamoramento da alma divina, na pessoa de seu filho, a beira dos caminhos de vida, no caminho pra Emaús ou fazendo o caminho de volta pra Santiago do Chile (…) – não precisamos, como bem afirmou Paulo Coelho: “Na margem do rio Piedra, eu sentei e chorei” – Precisamos, apenas  receber o toque, o toque, o toque palpável de Deus em nós. Quem está cego precisa de luz, de toque, de um guia, (no desespero precisa de um cachorro, de uma vara pra se guiar). Jesus é o holofote último.  NEle, encontramos comida, água e abrigo para a nossa alma aflita.

Jesus é a contrapartida para o Ensaio sobre a Cegueira e a crise mundial. Não falo da terra dos cegos. A cegueira em si mesma é o clarão branco, ofuscante em nossos olhos. O que há na frente é caos e o abismo. Somente um outro ensaio no tira da depressão dos textos sobre fuga existencial e, até mesmo, de muitos filmes sobre o cinema catástrofe. O Ensaio de Saramago não é assim. É um belo filme e um dos piores deles. Meirelles acertou, Saramago chorou ao ver a estréia do filme. E o homem mundial ficou com o clarão no final do filme e, sem resposta. Aqui, fica o meu chavão: Jesus é a resposta para a cegueira humana. Ele dá sentido porque encontramos nEle sentido e razão na sua própria relação com o pai. Aqui, encontramos sentido para as nossas existências. A teoria do caos é engolida pela visão econômica de Deus.  Ele está no meio do caos. O caos está ao seu serviço. Nada existe sem Deus, inclusive o caos.

Agora, se vamos viver de mãos dadas (relação de afeto e altruísmo); se vamos caminhar juntos pelas estradas em busca de abrigo no meio das avenidas, isso é outra história. Esta é a propositura cristã. A cruz uniu quem estava na encruzilhada e no caos. Calma e serenidade em meio a cegueira é importante. E por pouco tempo.

Finalizo, dizendo que a vida não é um moinho, como na perspectiva de Cartola. Nem como na visão de Franz Kafka nem tampouco em Sartre e  em Albert Camus.

Em A peste,  ALBERT CAMUS no 1º sermão do Padre Paneloux: p.86/90 citou o texto do Êxodo relativo à peste no Egito e disse: “A primeira vez que este flagelo aparece na história é para atacar os inimigos de Deus. O faraó opõe-se aos desígnios eternos e a peste o faz então cair de joelhos. Desde o princípio de toda a história, o flagelo de Deus põe a seus pés os orgulhosos e os cegos. Meditai sobre isto e caí de joelhos.”

E continuou, num tom mais veemente: “Se hoje a peste vos olha, é porque chegou o momento de refletir. Os justos não podem temê-la, mas os maus têm razão para tremer. Na imensa granja do universo, o flagelo implacável baterá o trigo humano até que o joio se separe do grão. Haverá mais joio que grão, mais chamados que eleitos e esta desgraça não foi desejada por Deus.

Que Deus nos abençoe durante e quando possível existir clarão (temporário) da nossa cegueira.

* Douglas Rodarte é professor de diversas disciplinas de Teologia e professor de Bíblia desde 89, Estudou Teologia na ETIC, tem Licenciatura plena em Língua Portuguesa e Inglesa (UCG, 2005); Especialista em Lingüística e Literatura (UCG, 2005). Professor das Faculdades FATIC e SEPEGO, Obcursos e ESPconcursos. E desenvolve o seu ministério focando na Teologia da Espiritualidade e no Discipulado. É autor dos Livros Salmos inseparáveis, 2007 e livros poéticos – formas, discursos e princípios para a vida. (2008);  Epístolas gerais: intencionalidade, fé e discurso (no prelo); Café, almoço e janta com Jesus – Um modelo de Espiritualidade ao nosso alcance (no prelo)

fPor Arnaldo Niskier

o deus da hora e da no_

                                                                                                        

A VIDA COMO ELA E

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Episódio 1: ´O mostro

“A vida como ela é” traz histórias dos melhores contos de Nelson Rodrigues, o maior dramaturgo brasileiro de todos os tempos. Histórias de amor, mistério, traição e humor que recriam o universo rodrigueano em quarenta episódios. Mulheres insaciáveis, maridos traídos, ninfetas sensuais: os irmotais personagens de Nelson voltam nesta série antológica, premiada no Brasil e no mundo.

O universo de Nelson Rodrigues em “A Vida Como Ela é” tem uma visão obscena e conservadora, machista e sensível, dramática e bem – humorada e, acima de tudo, contraditória. Afinal, esse é um pouco de Nelson Rodrigues.

Estamos em 2008 e nos parece que Nelson ressoa nos ouvidos de muita gente. Isso porque nele, o incômodo se mostra na não aceitação e na indisposição de assumir que enfrentamos os mesmos dramas na vida mostrados no teatro-literatura de Nelson.

A tarde QUARTA-FEIRA (14.3.2008) abriu com Arnaldo Jabor no Jornal Hoje, no quadro ´mulher de hoje´. Não sei se ele começa ou termina com a nossa tarde! Jabor é Nelson: sua visão é fria, quase inópita. Suas elocubrações sobre sobre as neuroses clássicas: carência, ciúmes, rejeição etc. , nos encostam na parede. Ouvimos Jabor e ficamos sem graça, sem resposta.

Muito melhor não tê-lo visto (muitos pensam). Jabor e Nelson são duas metáforas intragáveis. Precisam ser desconstruídos, ´lidos´ nas entrelinhas. O poeta gaúcho Quintana afirma que ´O difícil, mesmo, é a arte de desler!´.

Essa é a tarefa de maior porte quando nos encontramos com estes dois. Explico melhor: Hoje, Jabor acelerou sobre o problema da relação entre homem e mulher e afirma que a base fundamental , o ponto fucral do problema é o ´medo´.

Em suas palavras ´hoje, temos medo de amar e de sermos amados´. ´O amor dura quanto…´, ´o tempo de um desejo ou de um ardor sexual…

 

Essas perguntas são desconcertantes, pois não temos respostas fáceis. Sua carga reflexiva leva consigo o mote da ´moralidade escondida´. A religião, em Nelson e em Jabor, esconde o fetiche e faz aflorar os desejos e as mais diversas idiossincrasias.

O absurdo, o louco preenche o lugar da sanidade e da personalidade ´normal´ e ´aceitável´ à sociedade.
Nelson vê exatamente a mesma coisa. No primeiro conto que abre a série de 40 casos de ´A vida como ela é´ ´O mostro´, nos remete para um mundo muito próximo de todos. Em suma, Maneco (protagonista) assedia a cunhada Sandra (vítima para a sociedade) . O pai de Sandra para não descer da postura patriarcal do Rio de Janeiro de então, esbofeteia Bezerra até sangrá-lo e Sandra o interromper chamando-o em particular, deixando o caído às vistas de todos.
O velho Guedes (pai de Sandra) revelado ali como moralista, modelo, âncora respeitosa da família é pressionado por Sandra a deixar o rapaz em paz. A contrapartida é não entregar o Velho Guedes: contar pra todos que ele traía a esposa, que é um libertino e fanfarrão.
Neste universo, Nelson Rodrigues mostra um personagem muito humano: casado, amarrado aos mais diversos laços de família e que tem segredos com a cunhada e um pai que perde a autoridade perante a filha porque foi descoberto. Essa His ou Estória se parece com alguma que você conhece…
A mulher de Maneco após ouvir o marido promíscuo desmentir o ocorrido do amigo, ela o beija taradamente e diz: ´sabes, que eu gosto deste seu cinismo!´.
Nelson mostra a cara do homem ´normal´ e ´pecador´ que vive por amor com a irmã e é tarado pela cunhada e que pensa todo dia: ´o que é uma cunhada. Uma cunhada não é uma irmã!´.


Até a próxima .

 

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Notícia

Escritores africanos divergem sobre Acordo Ortográfico

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa não é necessário segundo o moçambicano Mia Couto. Segundo Couto, em declaração à agência de notícias Lusa, “o acordo ortográfico tem tanta exceção, omissão e casos especiais que não traz qualquer mudança efetiva”. Já o angolano José Eduardo Agualusa defendeu que seu país opte pela ortografia brasileira caso o acordo não seja aplicado por “resistência” de Portugal. Já outro escritor de Angola, Ondjak, segundo a RTP, “considera importante que se faça um acordo ortográfico da língua portuguesa, desde que este seja precedido de um amplo debate para esclarecer as pessoas sobre o que está em causa”. O Acordo, assinado em 1991 pelos países que falam português, possibilita a criação de normas ortográficas comuns para as variantes da língua portuguesa, facilita a difusão bibliográfica e de novas tecnologias, reduz o custo econômico e financeiro da produção de livros e documentos.

Fonte: Boletim PNLL.