“O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler”. Mark Twain

Você é o meu convidado  para este Blog inovador. Um espaço reservado para falarmos sobre a nossa maravilhosa Língua Portuguesa.
Bom apetite! ( … )

´Conhecer a Língua Portuguesa não é privilégio de gramáticos, senão dever do brasileiro que preza sua nacionalidade. A Língua é a mais viva expressão da nacionalidade. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que a exprime e representa, o idioma pátrio!

Napoleão Mendes de Almeida

Anúncios

O cheiro das curvas da cor daquilo que fica no prato.

Naquele cinza domingo eram 7h10 da manhã. Acordo….vou meneando a cabeça, como quem acorda baleado pelo sono, e me dirigindo vou ao local de onde sempre sai o aroma do café que preparo: a cozinha. “Aceita um pedacinho”… pergunta a moça, sem pensar no que estava me oferecendo. Eu disse: “não, não, agradecido”. “Nossa! – insiste ela mais um pouco – Come um pedacinho”. Ali, começara tudo novamente.

Nesse dia, o dia estava cheio e fervente. Era uma tarde, entre muitos afazeres e demandas, me chega num pires um pedaço de requeijão. “Quer que eu esquente? Daí, vai ficar bem molinho, gostoso até…, quer?”. Disse isso como que estava dizendo lá no fundo: “Ah! … se você soubesse o que vai acontecer depois de colocar isso na boca!”.  Continuar lendo

Entre livros e pessoas

contador gratuito de visitas

 Na livraria de hoje são 17 horas. Senta-se ao meu lado o Pessoa. Isso, Fernando Pessoa. Veio trazendo o Livro do desassossego. Chegou e jogou o livro em cima de mim, e disse: “tá na hora de recomeçar!” “Tá preparado?”. Claro que não! Pensei rapidamente. Eu tinha acabado de ler texto da da Márcia Tiburi que se chama Era meu esse rosto, e eu estava tão concentrado, não esperava essa visita tão intempestiva.

Continuar lendo

José e Pilar – “Não há consolo para nós!”

Acaba de chegar às nossas mãos o livro Conversas inéditas – José e Pilar – Ed. Companhia das Letras. A compilação é de Miguel Gonçalves Mendes, autor português, nascido em 78. Na verdade, é o diretor do documentário. Cara bacana. Mais novo do que eu. Puxa vida! Esse livro é uma extensão do filme José e Pilar.
Aqui, ele nos revela um pouco mais do José, o José além do Saramago. O homem que queria “morrer lúcido e de olhos abertos” f

ora fotografado nestas páginas de maneiras muito particulares. Tenho o DVD do documentário. Mas ler o livro, que não é o documentário em livro, é algo muito diferente. Continuar lendo

Um café e um peito mexido

Você deve estar achando muito estranho o título deste meu conto. E, de fato o é. O café na  Saraiva estava cheio, lotado – sábado é o pior dia para alguém ir ao Shopping, ainda mais ir à livraria. Não tive escolha. Tive que ir. Fui. Estava com uma vontade louca de ler os meus textos de sempre: Literatura, e muita Psicanálise.

Quase no fim de tarde, entre algumas leituras, peço um café expresso, o de sempre, e um pão de queijo. Devorando Lacan naquela tarde , e não deixando de olhar atentamente uma velhinha que estava à minha esquerda. Que coisa interessante: mal vestida. Se é que existe isso. Por ser aquele tipo de lugar, parecia mal vestida. Ela havia pedido um café e um bolo. Raramente tocava o bolo. Ciscava, às vezes. Na sua mesa havia umas revistas, livros de temas variados, mas ela não largava um livro específico. Não dava para ver qual livro era. Ela estava lendo fixamente. O tempo de sua leitura, era o meu tempo ali desde que cheguei ao café.  Continuar lendo

Urubus – Uma metáfora da condição do urbano

Uma leitura em Drummond

O curta Urubus é um filme frio, quase colossal. Repare o olhar dos personagens: Josué (Mauri de Castro) e Alípio (Juquinha) – não é um olhar; é uma feição Clariceana, do tipo da personagem Ana, no conto Amor, em Laços de Família, que ₺olhava e via um cego mascando chicletes.” Confesso que é  um filme curto, mas longo nas possibilidades de leitura, deixa a plateia sem fôlego. Belíssimo e impactante.

Escrito por Miguel Jorge, é um texto rápido que conta a história de dois catadores de lixo. Na verdade, não catadores, mas moradores do Lixão. Miguel escreve um roteiro que não segue na via do monólogo, ou mesmo um filme curta-documentário, como é o desbravador Estamira. Miguel prefere revelar cenas simbólico-verdadeiras que vão mostrando a crueza das relações humanas a partir de um cenário de vivência muito além da vivência humana. Lá é lugar de urubus. Lá vive o Urubu-rei (Sarcoramphus papa). Ele prefere a ave de rapina como ponto de apoio à temática do lixão. Na verdade, em Miguel, nos parece que o Urubu é apenas o ícone do, talvez, mas baixo nível de decomposição de matéira cadavérica. Sabia? Os urubus não possuem siringe (órgão vocal das aves), logo não podem cantar. Portanto, ao invés de cantar eles crocitam. É assim que o Alípio e o Josué são mostrados: eles crocitam. Na mais tenra e densa condição humana. Também não falamos, grunimos; não expressamos inteligibilidade, não comunicamos, não amamos, nem conquistamos; às vezes, apenas sonhamos. Um sonho fétido, mas ainda sonhos.  Continuar lendo